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Auden extraiu do Casamento do Céu e do Inferno, de Blake, a oposição entre dois tipos humanos básicos, e a identificação que faz do artista com o prolífico e do político com o devorador consubstancia a sua desafiadora recusa em interpretar o artista como estando ao serviço dos que modelam a história e como parasita dos que produzem. «O Agricultor – o Operário Especializado – o Cientista – o Cozinheiro – o Dono de Pensão – o Médico – o Professor – o Atleta – o Artista. Haverá, para além destas, alguma ocupação que se adeqúe ao ser humano?» Por oposição, os políticos, representados por «Juízes, Polícias, Críticos», constituem «as verdadeiras Classes Baixas, uma espécie de submundo clandestino do mais rasteiro que ninguém decente quererá receber em sua casa».

“Vejo-me como um homem calado, vejo assim os poetas, vemo-nos como homens calados que não podem estar calados, ou que estão cegos e não podem estar cegos, ou que não podem deixar de deambular na cidade, porque há uma pedra a levantar do chão, um povo a levantar, uma infância a levantar” [p. 12 de O Ano da Morte…]
